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Pedagogia Hospitalar é tema de projeto de pesquisa na FE/FFCL

Andreza da Silva Barbosa, aluna do curso de Pedagogia desenvolve projeto de pesquisa na área de Pedagogia Hospitalar no Hospital A.C. Camargo – SP

A aluna do curso de Pedagogia da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras, orientada pela professora   Priscila Alvarenga Cardoso Gimenes, desenvolve pesquisa com o tema “Pedagogia hospitalar: a contribuição do pedagogo no processo de aprendizagem da criança hospitalizada com câncer” e o objetivo da pesquisa é abordar e discutir sobre as práticas pedagógicas elaboradas e executadas no contexto hospitalar levando em consideração o trabalho do pedagogo voltado para crianças em fase de tratamento. 

Com isso, teve as portas da Escola Especializada Schwester Heine abertas para que pudesse fazer uma entrevista com a gerente educacional “Ana Maria Kuninari” e com os professores atuantes nessa área. Andreza relata que teve uma excelente receptividade e, na ocasião da visita foi convidada a participar, no Centro Internacional de Pesquisa e Ensino, de um  Congresso que estava lá acontecendo, e já foi convidada para outros eventos futuros.

Visitou as salas de aulas, onde há a sala para atendimento a diversas crianças – sala hospitalar e o atendimento individual, que de acordo com  Andreza, não é o leito do hospital que a criança permanece internada, mas uma sala/leito específica, para a qual os alunos que têm condições são levados para receber o atendimento individualizado, e pôde acompanhar de perto o trabalho desenvolvido pelas pedagogas, que são professoras do estado e município. Conheceu também a biblioteca e o hospital “me senti bem-vinda o tempo todo”.

Andreza ressalta que foi uma experiência única, porque além de ter a oportunidade de coletar dados para o seu trabalho, se deparou com “uma realidade dolorosa e ao mesmo tempo gratificante, já que a  Escola da Pediatria zela pelo desenvolvimento integral de seus alunos, pacientes do A.C.Camargo, oferecendo atividades educativas, pedagógicas, recreativas e lúdicas que visam a diminuição do estresse e ansiedade e auxiliam na aderência e no sucesso do tratamento proposto pelas equipes clínicas, assim como para integrar os pacientes ao convívio escolar e social.

Diz também que se sentiu honrada em levar o nome e poder representar a Fundação Educacional de Ituverava, que a apoiou em todos os momentos e a qual agradece  “acreditem, a faculdade está sempre disposta a incentivar aqueles que demonstram  vontade de aprender”.  Aproveitou o momento para dizer o quanto foi fundamental o incentivo do noivo e de seus familiares.

Diante dessa realidade, Andreza, sensibilizada com tudo o que estava vivenciando, doou seus longos cabelos, para que outras pessoas pudessem se beneficiar; “foi o gesto mais marcante da minha vida, nunca mais vou esquecer, fico emocionada só de relatar... e, nesse momento tive a certeza de que a pedagogia hospitalar é o caminho profissional que desejo seguir”.

Momento em que doou os seus cabelos 

 

Na foto com uma cabelereira, que presta serviço voluntário no hospital.

A bibliotecária da Fundação Educacional de Ituverava, Vera Chaud, que acompanhou a trajetória desde o início, diz que: “para ter acesso a todo esse conhecimento, a aluna enfrentou vários desafios, que foram vencidos um a um, por sua determinação e competência. Acreditamos logo de início, pois vimos a motivação brilhar nos olhos da Andreza e, por isso, não medimos esforços para que ela concretizasse esse sonho”.

O projeto foi orientado pela professora da FE/FFCL  Priscila Alvarenga Cardoso Gimenes e submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa - CEP  da mesma Instituição, que teve importante participação na formação de diretrizes  e, principalmente, orientações referente ao TCLE – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (documento fundamental para a execução da entrevista). Após aprovação desse Comitê de Ética, precisou ser aprovado também pelo Comitê de Ética do Hospital A.C. Camargo. É um procedimento burocrático e minucioso, que resguarda a participação dos sujeitos envolvidos e, sem o qual não poderia ter sido concretizado. Priscila diz que, “em nenhum momento a aluna recuou, sempre disposta a transpor os obstáculos, manteve-se sempre firme nos seus propósitos; provavelmente porque tem muito a contribuir em favor da ciência. É importante ressaltar que esta pesquisa muito contribuirá com a construção dos conhecimentos a respeito da pedagogia hospitalar, que é uma área da Pedagogia que tem crescido nos últimos anos”.

O diretor  Antônio Luís de Oliveira ressalta a certeza de que os alunos da FFCL são preparados para o mercado de trabalho e que, no caso da Andreza e de outros exemplos de alunos que por aqui já passaram, a garra e a perseverança são garantia de sucesso.

Maria Madalena Gracioli, coordenadora do curso de pedagogia ressalta a importância da iniciação científica nos cursos de graduação e diz que “espera que a exemplo da Andreza outros alunos possam desenvolver projetos e acreditar na possibilidade de abertura de novos horizontes por meio deles”, e continua, “tenho certeza de que vesse projeto será o caminho para um futuro mestrado e doutorado na área”. 

Pedagogia Hospitalar

A Pedagogia Hospitalar é uma área de atuação da Pedagogia que visa proporcionar atendimento educacional a crianças e adolescentes no contexto hospitalar, tanto em classes hospitalares, quanto em atendimento individual. O Hospital A.C. Camargo de São Paulo é uma das grandes referências em se tratando deste trabalho realizado no Brasil, pois neste foi fundada  a primeira Instituição de Ensino (Escola especializada) dentro de um hospital oncológico.

Com a proposta de evitar que os pacientes da Oncologia Pediátrica perdessem aulas e provas por não terem acesso ao convívio escolar em razão do tratamento, a fundadora do A.C. Camargo Câncer Center, Carmen Prudente (falecida em 2003), criou, ao lado da pedagoga “Maria Genoveva Vello”, a primeira unidade de ensino dentro de um hospital oncológico em 15 de outubro de 1987. Carmen afirmava que as crianças conseguiam vencer a doença, mas não conseguiriam vencer na vida sem educação e a Escola veio para mudar esta história.

Hoje, a carinhosamente chamada Escolinha da Pediatria, é uma referência nacional em classes hospitalares e seu corpo docente orienta a abertura de projetos semelhantes em outros hospitais. 

Escola Especializada Schwester Heine

O Corpo Docente da Escola Especializada Schwester Heine que começou com apenas duas professoras, atualmente é composto por 12 professoras cedidas pelas Diretorias das Redes Estadual e Municipal de Ensino.

Os sistemas de ensino, mediante ação integrada com os sistemas de saúde, devem organizar o atendimento educacional especializado a alunos impossibilitados de frequentar as aulas em razão de tratamento de saúde que implique internação hospitalar, atendimento ambulatorial ou permanência prolongada em domicílio.

A Lei diz que – “As classes hospitalares e o atendimento em ambiente domiciliar devem dar continuidade ao processo de desenvolvimento e ao processo de aprendizagem de alunos matriculados em escolas da Educação Básica, contribuindo para seu retorno e reintegração ao grupo escolar”.

Dessa forma, o objetivo da escola é:

  • Possibilitar o acompanhamento pedagógico do processo de escolarização do paciente.
  • Organizar recursos e estratégias que garantam não só a inserção e/ou reinserção escolar do paciente, mas seu sucesso escolar.
  • Avaliar e diagnosticar as dificuldades que envolvam o desenvolvimento das habilidades escolares.
  • Atuar de modo a dirimir as dificuldades diagnosticadas e prevenir o surgimento de alterações no processo de aprendizagem.
  • Orientar pais, familiares e escolas com relação às especificidades do processo educacional do paciente.
  • Encaminhar o paciente para escolas e recursos educacionais especializados quando necessário.
  • Organizar atividades educativas e lúdicas que envolvam os pacientes de modo a diminuir a ansiedade e aumentar a aderência ao tratamento e seus procedimentos.
Da esquerda para a direita-  Ana Maria Rodrigues Alves Kuninari (Gerente Educacional); Maria Genoveva Vello (Fundadora da Escola);  Andreza da Silva Barbosa (Aluna pesquisadora) e Rosemary A. Viccary Hiário (Professora da Classe Hospitalar).